os meus e os dias
Escritos produzidos de forma pretensiosamente poética e outros devaneios. Muitos rascunhos em viagens sempre que uma imagem me assalta. Para os meus. Durante os dias que vivo. Porque falam de Vida. Ainda que possam referir mortes aqui ou ali.
quinta-feira, 13 de junho de 2024
domingo, 9 de abril de 2017
MEMÓRIAS DE ADRIANO
Adriano Correia de Oliveira faria hoje 75 anos de idade.
Quem, dos muitos que hoje sobem a um palco a homenagear o Zeca ou o Adriano ou o Ary não faz ideia das condições precárias com que tantos artistas percorreram generosamente um país em escombros.
A última vez que estive com o Adriano, nos idos de 80, acompanhando-o com o Eduardo Aurelio, foi numa aldeia de Viseu, em Travassós de Cima.
O palco era um luxo, para a época: um mal amanhado estrado de reboque dum tractor.
O sistema sonoro consistia em duas colunas procedentes de famílias diferentes (colunas ainda primas mas primas afastadas) e um único microfone. Foi o que se conseguiu arranjar.
Mas o que para nós contava - o nós éramos eu e o Eduardo - era somente termos a suprema honra de acompanhar aqueles dois monstros da canção comprometida: O Adriano e o Vitorino.
E isso foi o que, aos nossos olhos de putos ansiosos por uma Revolução, transformou um reboque de tractor no palco dum Coliseu, por ainda hoje inexplicáveis artes de magia...
Lembrando-me de tantos momentos como esse, comparo toda essa Gente Inteira aos bailarinos do Bolshoi que também generosamente levaram a força anímica necessária aos soldados do exército vermelho nas trincheiras da guerra contra o nazi-fascismo.
Quem, dos muitos que hoje sobem a um palco a homenagear o Zeca ou o Adriano ou o Ary não faz ideia das condições precárias com que tantos artistas percorreram generosamente um país em escombros.
A última vez que estive com o Adriano, nos idos de 80, acompanhando-o com o Eduardo Aurelio, foi numa aldeia de Viseu, em Travassós de Cima.
O palco era um luxo, para a época: um mal amanhado estrado de reboque dum tractor.
O sistema sonoro consistia em duas colunas procedentes de famílias diferentes (colunas ainda primas mas primas afastadas) e um único microfone. Foi o que se conseguiu arranjar.
Mas o que para nós contava - o nós éramos eu e o Eduardo - era somente termos a suprema honra de acompanhar aqueles dois monstros da canção comprometida: O Adriano e o Vitorino.
E isso foi o que, aos nossos olhos de putos ansiosos por uma Revolução, transformou um reboque de tractor no palco dum Coliseu, por ainda hoje inexplicáveis artes de magia...
Lembrando-me de tantos momentos como esse, comparo toda essa Gente Inteira aos bailarinos do Bolshoi que também generosamente levaram a força anímica necessária aos soldados do exército vermelho nas trincheiras da guerra contra o nazi-fascismo.
domingo, 26 de março de 2017
SITE ESCRITORES ONLINE
Escritores > Carlos Clara Gomes
Data Nasc: 27/10/1958 Naturalidade: Viseu
Na web: Blog Facebook
Biografia:
Carlos Clara Gomes é cantautor, compositor, poeta, romancista, dramaturgo e encenador.
É,
ainda, diretor artístico da Companhia DeMente, da Tradisom Produções
Culturais, da TUNADÃO e d’Os Filhos do Nada; Coordenador dos Projectos
Artísticos da ENLACE-Associação de Amizade Portugal-América Latina e
Maestro Titular da respetiva Orquestra.
Dá formação nas áreas de Música de Cena e Música para Cinema e Vídeo.
Tem
no seu currículo a autoria de música de cena para quase 200 espetáculos
de teatro, ópera popular, dança e vídeo, para além dos muitos
espetáculos musicais que dirigiu.
Definindo-se
esteticamente como “um camaleão” em termos estilísticos, é assíduo
frequentador de formas musicais das culturas populares do mundo,
enquanto incorpora nas suas composições contributos de outras áreas como
Jazz, ou a Música Erudita, em muitas das suas respetivas vertentes e
estilos.
Como autor, produtor ou
intérprete, conta com 48 discos no seu ativo, repartidos por
colaborações de e com Adriano Carreira de Oliveira, Sérgio Godinho, João
Afonso, Manuel Freire, Moçoilas, Janita Salomé, Maria do Céu Guerra,
Brigada Victor Jara, José Medeiros, Segue-me à Capela, Projecto Maré
Alta, Uxía (Galiza), Maio Coopé (Guiné-Bissau), Ron Whitehead (EUA),
Paulo Lepetit (Brasil), Jackeline Mercado (México), Birgitta Jodonstir
(Islândia), Andrés Stagnaro (Uruguai), Ramon Maschio (Argentina),
Cholat-el-Fen (Marrocos), Ebru Kennington (Turquia), Élmer Veckio
(México), Kinamata Mikuluti (Moçambique), Denis Eulenspiegel Salvini
(Itália), Quinteto Violado (Brasil), Daniel Schvetz (Argentina), Gonzalo
Guzmán (México), Vange Miliet (Brasil), Filipe Santo (S.Tomé e
Príncipe), Walter Hidalgo (Argentina), Giovanna Fachinelli (Uruguai),
Mário Babhran (Guiné-Bissau), Lindu Mona (Angola), Bill Dimopoulos
(Grécia), Asli Cansiz (Turquia) e Daisy Citterio (Italia).
Como
compositor para cena ou como músico de cena, colaborou com Companhias
Trigo Limpo Teatro ACERT, do qual foi diretor musical durante 16 anos,
Teatro Regional da Serra do Montemuro, Teatro A Barraca, Teatro Praga,
Os Filhos do Nada, Paramonte Picatudo, Cooperativa Cantar de Novo,
Artefacto, EloIberia, Talassos Producciones, Companhia DeMente, TGV –
Teatro Grão Vasco, Entre Tanto Teatro, Grupo Off, Cénico – Grupo de
Teatro Popular de S. Pedro do Sul, Teatro Enlace, Womb of Creation
(Islândia), The Literary Renaissance (EUA).
Neste
momento é o Coordenador de projectos Artísticos da Enlace, Associação
de Amizade Portugal-América Latina, sendo também o Maestro titular da
respectiva Orquestra.
Recebeu 4
Prémios ANIMARTE atribuídos pela Revista ANIMARTE em 1993, 1994, 1995 e
2002; Menção do Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco pelo CD Ópera
do Bandoleiro (Melhor Disco de Musica Regional do Nordeste) 1994;
Menção Honrosa do Concurso de Poesia Doutor João Isabel pela Câmara
Municipal de Manteigas pelo conto Encruzilhada das Almas; Prémio pelo
Melhor Texto e Prémio pela Melhor Peça (As Minas de Vento) no Festival
de Teatro Jovem de Viseu – 2013; Prémio pela Melhor Peça (Serão as Aves
Azuis?) no Festival de Teatro Jovem de Viseu – 2014 e Prémio pela Melhor
Peça (Voz-Off) no Festival de Teatro de Viseu – 2016.
Principais Obras Publicadas
Retrato de Mulher no Cais Durante2017, Edições Esgotadas
“[…]
Avança-se então no livro como se avançaria numa viagem de destino
incerto, o horizonte escondendo tudo o que se ama, a distância engolindo
o que ainda há pouco se avistava e sempre, sempre, essa teimosia de
continuar, por já não se conceber outra atitude que não a de jurar … Ler mais
|
Crónicas de Inverno2013, Edições Esgotadas
“Situado
entre dois mundos cinzentos que estranhamente se encaixam, não fora a
logo marginada primavera de abril, o plot textual (lírico, avassalador,
pachequiano e atualíssimo) convoca uma tensão dramática entre um eu
admonitório e um tu sofredor. A breve trecho, como no drama regiano, há
um eu que é um … Ler mais
|
Montemuro2013, Edições Esgotadas
Competia
a Serafim falar, era a sua deixa. Obviamente, o cabo não pretendia
insinuar que o marceneiro se andasse a fazer ao piso à viúva, era só
epígrafe para diálogo, metia-se conversa assim naqueles idos, era sobre
Marília ou sobre o frio, em qualquer dos casos o interlocutor de plantão
… Ler mais
|
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terça-feira, 7 de março de 2017
cento e vinte e três
uma
duas
três
cento e vinte e três
cento e vinte e três mulheres
morreram naquele dia
em new york new york
morreram cento e vinte três mulheres
numa nova iorque já envelhecida
pois as cidades envelhecem
sempre que morre uma das suas mulheres
não interessa o dia
nem interessa se foi a oito
o tal oito que tem o formato
do infinito em pé
porque é disso que se trata
nessas coisas de se ser mulher:
estar em pé
e ser-se infinita
pois as cidades
não existem sem mulheres infinitas
mulheres infinitas que são
aquelas que se levantam
quando tudo se dobra
aquelas que zurzem fogo
quando tudo se protege das balas
naquele dia morreram
cento e vinte e três mulheres
em cada cidade deste mundo
naquele dia morreram
cento e vinte e três mulheres
em cada casa deste mundo
naquele dia morreram
cento e vinte e três mulheres
em cada pessoa deste mundo
naquele dia morreram
cento e vinte e três mulheres
em cada mulher deste mundo.
.
Também In Memoriam de Hipathia,
astrónoma e filósofa egípcia assassinada
em 8 de março de 415 DC
quando defendia os manuscritos
da Biblioteca de Alexandria
da fúria intolerante.
(c) SPA2017 Carlos Clara Gomes
in «Os Meus e Os Dias»
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