domingo, 9 de abril de 2017

MEMÓRIAS DE ADRIANO

Adriano Correia de Oliveira faria hoje 75 anos de idade.
Quem, dos muitos que hoje sobem a um palco a homenagear o Zeca ou o Adriano ou o Ary não faz ideia das condições precárias com que tantos artistas percorreram generosamente um país em escombros.
A última vez que estive com o Adriano, nos idos de 80, acompanhando-o com o Eduardo Aurelio, foi numa aldeia de Viseu, em Travassós de Cima.
O palco era um luxo, para a época: um mal amanhado estrado de reboque dum tractor.
O sistema sonoro consistia em duas colunas procedentes de famílias diferentes (colunas ainda primas mas primas afastadas) e um único microfone. Foi o que se conseguiu arranjar.
Mas o que para nós contava - o nós éramos eu e o Eduardo - era somente termos a suprema honra de acompanhar aqueles dois monstros da canção comprometida: O Adriano e o Vitorino. 

E isso foi o que, aos nossos olhos de putos ansiosos por uma Revolução, transformou um reboque de tractor no palco dum Coliseu, por ainda hoje inexplicáveis artes de magia...
Lembrando-me de tantos momentos como esse, comparo toda essa Gente Inteira aos bailarinos do Bolshoi que também generosamente levaram a força anímica necessária aos soldados do exército vermelho nas trincheiras da guerra contra o nazi-fascismo.

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