Adriano Correia de Oliveira faria hoje 75 anos de idade.
Quem,
dos muitos que hoje sobem a um palco a homenagear o Zeca ou o Adriano
ou o Ary não faz ideia das condições precárias com que tantos artistas
percorreram generosamente um país em escombros.
A última vez que estive
com o Adriano, nos idos de 80, acompanhando-o com o Eduardo Aurelio,
foi numa aldeia de Viseu, em Travassós de Cima.
O palco era um luxo,
para a época: um mal amanhado estrado de reboque dum tractor.
O sistema
sonoro consistia em duas colunas procedentes de famílias diferentes
(colunas ainda primas mas primas afastadas) e um único microfone. Foi o
que se conseguiu arranjar.
Mas o que para nós contava - o nós éramos eu e o Eduardo
- era somente termos a suprema honra de acompanhar aqueles dois
monstros da canção comprometida: O Adriano e o Vitorino.
E isso foi o
que, aos nossos olhos de putos ansiosos por uma Revolução, transformou
um reboque de tractor no palco dum Coliseu, por ainda hoje inexplicáveis
artes de magia...
Lembrando-me de tantos momentos como esse,
comparo toda essa Gente Inteira aos bailarinos do Bolshoi que também
generosamente levaram a força anímica necessária aos soldados do
exército vermelho nas trincheiras da guerra contra o nazi-fascismo.
