domingo, 9 de abril de 2017

MEMÓRIAS DE ADRIANO

Adriano Correia de Oliveira faria hoje 75 anos de idade.
Quem, dos muitos que hoje sobem a um palco a homenagear o Zeca ou o Adriano ou o Ary não faz ideia das condições precárias com que tantos artistas percorreram generosamente um país em escombros.
A última vez que estive com o Adriano, nos idos de 80, acompanhando-o com o Eduardo Aurelio, foi numa aldeia de Viseu, em Travassós de Cima.
O palco era um luxo, para a época: um mal amanhado estrado de reboque dum tractor.
O sistema sonoro consistia em duas colunas procedentes de famílias diferentes (colunas ainda primas mas primas afastadas) e um único microfone. Foi o que se conseguiu arranjar.
Mas o que para nós contava - o nós éramos eu e o Eduardo - era somente termos a suprema honra de acompanhar aqueles dois monstros da canção comprometida: O Adriano e o Vitorino. 

E isso foi o que, aos nossos olhos de putos ansiosos por uma Revolução, transformou um reboque de tractor no palco dum Coliseu, por ainda hoje inexplicáveis artes de magia...
Lembrando-me de tantos momentos como esse, comparo toda essa Gente Inteira aos bailarinos do Bolshoi que também generosamente levaram a força anímica necessária aos soldados do exército vermelho nas trincheiras da guerra contra o nazi-fascismo.

domingo, 26 de março de 2017

showbiz 2

SHOWBIZZ |
Abrunhosa volta ao analógico. Vai gravar uma cassete. De limpeza.

showbiz 1

SHOWBIZZ |
Reininho já come fibras. Fãs temem que isso altere a sua forma de cantar.

meterologia


METEROLOGIA |
Prevê-se que esta primavera dure até ao solstício de verão...

SITE ESCRITORES ONLINE


Escritores > Carlos Clara Gomes
Data Nasc: 27/10/1958 Naturalidade: Viseu
Na web: Blog Facebook

Biografia:

Carlos Clara Gomes é cantautor, compositor, poeta, romancista, dramaturgo e encenador.
É, ainda, diretor artístico da Companhia DeMente, da Tradisom Produções Culturais, da TUNADÃO e d’Os Filhos do Nada; Coordenador dos Projectos Artísticos da ENLACE-Associação de Amizade Portugal-América Latina e Maestro Titular da respetiva Orquestra.

Dá formação nas áreas de Música de Cena e Música para Cinema e Vídeo.

Tem no seu currículo a autoria de música de cena para quase 200 espetáculos de teatro, ópera popular, dança e vídeo, para além dos muitos espetáculos musicais que dirigiu.
Definindo-se esteticamente como “um camaleão” em termos estilísticos, é assíduo frequentador de formas musicais das culturas populares do mundo, enquanto incorpora nas suas composições contributos de outras áreas como Jazz, ou a Música Erudita, em muitas das suas respetivas vertentes e estilos.

Como autor, produtor ou intérprete, conta com 48 discos no seu ativo, repartidos por colaborações de e com Adriano Carreira de Oliveira, Sérgio Godinho, João Afonso, Manuel Freire, Moçoilas, Janita Salomé, Maria do Céu Guerra, Brigada Victor Jara, José Medeiros, Segue-me à Capela, Projecto Maré Alta, Uxía (Galiza), Maio Coopé (Guiné-Bissau), Ron Whitehead (EUA), Paulo Lepetit (Brasil), Jackeline Mercado (México), Birgitta Jodonstir (Islândia), Andrés Stagnaro (Uruguai), Ramon Maschio (Argentina), Cholat-el-Fen (Marrocos), Ebru Kennington (Turquia), Élmer Veckio (México), Kinamata Mikuluti (Moçambique), Denis Eulenspiegel Salvini (Itália), Quinteto Violado (Brasil), Daniel Schvetz (Argentina), Gonzalo Guzmán (México), Vange Miliet (Brasil), Filipe Santo (S.Tomé e Príncipe), Walter Hidalgo (Argentina), Giovanna Fachinelli (Uruguai), Mário Babhran (Guiné-Bissau), Lindu Mona (Angola), Bill Dimopoulos (Grécia), Asli Cansiz (Turquia) e Daisy Citterio (Italia).

Como compositor para cena ou como músico de cena, colaborou com Companhias Trigo Limpo Teatro ACERT, do qual foi diretor musical durante 16 anos, Teatro Regional da Serra do Montemuro, Teatro A Barraca, Teatro Praga, Os Filhos do Nada, Paramonte Picatudo, Cooperativa Cantar de Novo, Artefacto, EloIberia, Talassos Producciones, Companhia DeMente, TGV – Teatro Grão Vasco, Entre Tanto Teatro, Grupo Off, Cénico – Grupo de Teatro Popular de S. Pedro do Sul, Teatro Enlace, Womb of Creation (Islândia), The Literary Renaissance (EUA).

Neste momento é o Coordenador de projectos Artísticos da Enlace, Associação de Amizade Portugal-América Latina, sendo também o Maestro titular da respectiva Orquestra.

Recebeu 4 Prémios ANIMARTE atribuídos pela Revista ANIMARTE em 1993, 1994, 1995 e 2002; Menção do Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco pelo CD Ópera do Bandoleiro (Melhor Disco de Musica Regional do Nordeste) 1994; Menção Honrosa do Concurso de Poesia Doutor João Isabel pela Câmara Municipal de Manteigas pelo conto Encruzilhada das Almas; Prémio pelo Melhor Texto e Prémio pela Melhor Peça (As Minas de Vento) no Festival de Teatro Jovem de Viseu – 2013; Prémio pela Melhor Peça (Serão as Aves Azuis?) no Festival de Teatro Jovem de Viseu – 2014 e Prémio pela Melhor Peça (Voz-Off) no Festival de Teatro de Viseu – 2016.

É autor de libretos das óperas: “Ópera do Bandoleiro” e “Auto da Fonte dos Amores”.

Principais Obras Publicadas

Retrato de Mulher no Cais Durante
2017, Edições Esgotadas
“[…] Avança-se então no livro como se avançaria numa viagem de destino incerto, o horizonte escondendo tudo o que se ama, a distância engolindo o que ainda há pouco se avistava e sempre, sempre, essa teimosia de continuar, por já não se conceber outra atitude que não a de jurar … Ler mais
Crónicas de Inverno
2013, Edições Esgotadas
“Situado entre dois mundos cinzentos que estranhamente se encaixam, não fora a logo marginada primavera de abril, o plot textual (lírico, avassalador, pachequiano e atualíssimo) convoca uma tensão dramática entre um eu admonitório e um tu sofredor. A breve trecho, como no drama regiano, há um eu que é um … Ler mais
Montemuro
2013, Edições Esgotadas
Competia a Serafim falar, era a sua deixa. Obviamente, o cabo não pretendia insinuar que o marceneiro se andasse a fazer ao piso à viúva, era só epígrafe para diálogo, metia-se conversa assim naqueles idos, era sobre Marília ou sobre o frio, em qualquer dos casos o interlocutor de plantão … Ler mais


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terça-feira, 7 de março de 2017

cento e vinte e três


uma
duas
três

cento e vinte e três

cento e vinte e três mulheres
morreram naquele dia
em new york new york

morreram cento e vinte três mulheres

numa nova iorque já envelhecida
pois as cidades envelhecem
sempre que morre uma das suas mulheres

não interessa o dia
nem interessa se foi a oito

o tal oito que tem o formato
do infinito em pé

porque é disso que se trata
nessas coisas de se ser mulher:
estar em pé
e ser-se infinita

pois as cidades
não existem sem mulheres infinitas

mulheres infinitas que são
aquelas que se levantam
quando tudo se dobra
aquelas que zurzem fogo
quando tudo se protege das balas

naquele dia morreram
cento e vinte e três mulheres
em cada cidade deste mundo

naquele dia morreram
cento e vinte e três mulheres
em cada casa deste mundo

naquele dia morreram
cento e vinte e três mulheres
em cada pessoa deste mundo

naquele dia morreram
cento e vinte e três mulheres
em cada mulher deste mundo.
.
Também In Memoriam de Hipathia,
astrónoma e filósofa egípcia assassinada
em 8 de março de 415 DC
quando defendia os manuscritos
da Biblioteca de Alexandria
da fúria intolerante.


(c) SPA2017 Carlos Clara Gomes
in «Os Meus e Os Dias»






segunda-feira, 6 de março de 2017

Gerundizando

e agora
que faço?

um poema sofrido?
embriago-me?

ou solto na rua os mastins
que trago guardados cá dentro?

que faço
enfim?

diz-me
diz-me o que hei-de fazer
 

já sei:
vou buscar uma cadeira
e sentar-me no quintal
na espera
de algum verbo no gerúndio.

(c) SPA2016 Carlos Clara Gomes
in "Os Meus e os Dias"