quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

firmeza


Comemorações que "tiveram que ser feitas" a contragosto, escondidas e envergonhadas (notam-se os esgares de repugnância nos rostos dos oradores de turno).
A bandeira ao revés num pátio escondido, longe da Rotunda dos heróis que nos trouxeram a República que tão incansavelmente tem sido estuprada.
Quatro gorilas empurram uma mulher que está em protesto.
Uma cantora lírica traz para o quintal dos ricos um hino do povo, reclamando Firmeza. 
Uma ou duas tias afectadas, de tão distraídas e burras até aplaudem por julgarem fazer parte da "instalação".
Dos baús das canções que julgávamos demodées, saltam hinos e refrões como pescado acabado de trazer pela companha.
A coisa já começou e já rola e rola.
Só não vê quem não quer.
E depois dos cantores na rua? Quem virá?
Um sniper?
Alvíssaras.


carlos clara gomes

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